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Haleakalā


O cume de Haleakalā: cúpulas brancas de observatório sobre encosta vulcânica escura, com o mar de nuvens ao fundo.

Um vulcão de três mil metros cujo nome significa casa do sol, e onde fica o telescópio mais poderoso já construído para olhar uma estrela.

Haleakalā significa casa do sol. Segundo a tradição havaiana, foi no alto desta montanha que o semideus Māui capturou o Sol e o obrigou a atravessar o céu mais devagar, para que os dias durassem o bastante.

O vulcão forma a maior parte da ilha de Maui e sobe cerca de três mil metros acima do Pacífico. No cume, o ar é rarefeito, o vento é constante, e na maior parte dos dias do ano as nuvens ficam abaixo de você — um chão branco que parece sólido e some quando o sol sobe.

Por que os telescópios estão aqui

Foi exatamente essa combinação que levou os astrônomos ao cume. Altitude alta, ar estável com pouca turbulência, céu de um azul escuro que permite observar a coroa solar — a atmosfera externa do Sol, que é tênue demais para ser vista de quase qualquer outro lugar do planeta.

O sítio foi formalmente destinado a uso astronômico por decreto do governador do Havaí em 1961 e é operado pela Universidade do Havaí. Não faz parte do Parque Nacional de Haleakalā e não é aberto ao público.

O maior telescópio solar do mundo

Desde 2022 funciona ali o Telescópio Solar Daniel K. Inouye, o mais poderoso já construído para observar o Sol. O espelho principal tem quatro metros de diâmetro e recolhe cerca de sete vezes mais luz solar que qualquer outro telescópio do gênero. Depois de uma busca por sítios no mundo inteiro, Haleakalā foi considerado o melhor lugar disponível.

O objetivo principal do Inouye não é fotografar o Sol — é medir os campos magnéticos dele. Manchas, explosões e ejeções de massa coronal nascem de configurações magnéticas, e é o comportamento magnético que determina o clima espacial que atinge a Terra, capaz de derrubar rede elétrica e comunicação.

No mesmo cume opera o Pan-STARRS, um telescópio de 1,8 metro equipado com uma das maiores câmeras digitais do mundo, dedicado a varrer o céu em busca do que se move.

Uma montanha disputada

A construção do telescópio solar foi acompanhada de protestos. Para parte da população nativa havaiana, o cume de Haleakalā é sagrado, e a instalação de mais um observatório num lugar de significado espiritual foi contestada em manifestações e em disputa judicial ao longo de anos.

É uma tensão que não se resolve com dados, e que vale conhecer antes de olhar as imagens bonitas: o melhor lugar do mundo para estudar o Sol também é a casa dele, no sentido que outras pessoas dão à palavra casa.

Onde
Ilha de Maui, Havaí, Estados Unidos
Altitude
Cerca de 3.050 m acima do Pacífico
Coordenadas
20°43′ N · 156°15′ O
Nome
Haleakalā — casa do sol, em havaiano
Observatório
Estabelecido em 1961, operado pela Univ. do Havaí
Telescópio solar
Daniel K. Inouye — espelho de 4 m, o maior do mundo
No livro

Helena mora na encosta e sobe para trabalhar. Do alto, o mar de nuvens parece um chão que se pode pisar, e o silêncio é de outra ordem — o ar rarefeito abafa tudo.

É numa vigília noturna comum, num observatório pequeno deste cume, que ela encontra no espectro do Sol uma linha que não deveria estar ali. Não é ruído do instrumento. Tem data de nascimento, e está crescendo.

É o lugar mais quieto do livro. É também onde tudo começa.

Fontes de referência: National Solar Observatory; Institute for Astronomy da Universidade do Havaí; National Science Foundation. O observatório onde a protagonista trabalha é ficcional, assim como os personagens e os acontecimentos do livro.


Um e-mail quando o livro sair.

Enquanto isso, acesse o relatório do Consórcio Helios. São dois arquivos — um deles não deveria estar lá.