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Genebra


Genebra à noite: rua central iluminada, com bonde, luzes suspensas e fachadas antigas.

A cidade construída sobre a ideia de que instituições sérias, reunidas em salas com tradução simultânea, evitam catástrofes.

Genebra é a cidade onde o mundo combina consigo mesmo. Sede europeia das Nações Unidas, casa da Organização Mundial da Saúde, da Organização Mundial do Comércio, da Organização Internacional do Trabalho e do Comitê Internacional da Cruz Vermelha — que nasceu ali, e deu à cidade o nome das convenções que regulam o que se pode e o que não se pode fazer numa guerra.

É uma cidade construída sobre uma ideia: a de que instituições sérias, reunidas em salas com tradução simultânea, evitam catástrofes.

A máquina embaixo da fronteira

A poucos quilômetros do centro, atravessando a fronteira franco-suíça, fica o CERN — a maior organização de pesquisa em física de partículas do mundo. Debaixo do solo corre o Grande Colisor de Hádrons, um anel de vinte e sete quilômetros onde prótons se chocam a quase a velocidade da luz, recriando em escala microscópica condições parecidas com as do universo logo depois do Big Bang. Foi ali que o bóson de Higgs foi confirmado.

Quando perguntaram se a máquina destruiria o mundo

E aqui a realidade se aproxima da ficção mais do que seria confortável.

Antes de o colisor ser ligado, uma parte do público — e alguns cientistas — levantou a hipótese de que as colisões pudessem produzir buracos negros microscópicos estáveis, ou partículas hipotéticas capazes de desencadear algo irreversível. O CERN respondeu do jeito que uma instituição séria responde: nomeou um grupo de cientistas para investigar. O relatório de 2003 concluiu que não havia perigo. Em 2008, um segundo grupo — físicos ligados ao CERN, mas não envolvidos nos experimentos — revisou a análise à luz de novos dados e reafirmou a conclusão.

O argumento central é elegante e tranquilizador: raios cósmicos bombardeiam a Terra, o Sol, estrelas de nêutrons e anãs brancas há bilhões de anos, com energias muito maiores que as do colisor. Se colisões desse tipo pudessem destruir um corpo celeste, não haveria corpos celestes.

Houve ainda uma ação judicial, apresentada em 2008 num tribunal do Havaí, pedindo que o colisor não fosse ligado. Ela não prosperou. O colisor foi ligado. E o argumento dos revisores continua de pé: a estabilidade do universo é a melhor prova de segurança que existe.

Guarde essa frase. Ela só funciona enquanto ninguém encontra uma estrela que não deveria estar ali.

Onde
Cantão de Genebra, Suíça
Coordenadas
46°12′ N · 6°09′ E
Organizações
ONU Europa, OMS, OMC, OIT, Cruz Vermelha
CERN
Na fronteira franco-suíça, a poucos km
Colisor
Anel subterrâneo de 27 km
Revisões de segurança
Relatórios de 2003 e 2008 — sem perigo
No livro

É em Genebra que fica o Helios, o reator de fusão de hélio-3 mais ambicioso já projetado. A física está correta. Os engenheiros são brilhantes. As revisões de segurança são impecáveis — e foram feitas exatamente como devem ser feitas.

O Conselho de Supervisão se reúne numa torre de vidro sobre o lago. Ninguém naquela sala quer que nada dê errado. Nenhuma das pessoas presentes é má, e nenhuma delas está mentindo.

É isso que torna a coisa possível.

Fontes de referência: CERN; relatórios do LHC Safety Study Group (2003) e do LHC Safety Assessment Group (2008). O reator Helios, o consórcio, os personagens e os acontecimentos do livro são ficção e não descrevem nenhuma instalação real.


Um e-mail quando o livro sair.

Enquanto isso, acesse o relatório do Consórcio Helios. São dois arquivos — um deles não deveria estar lá.